Menos promessas, mais movimento

 

Todo começo de ano repete o mesmo roteiro: promessas altas, listas ambiciosas e aquela sensação de que agora vai. Vai… até a rotina chegar. E ela sempre chega. Com o tempo, a gente aprende que não é falta de vontade. É excesso de expectativa. Mudança não acontece no discurso, acontece no dia a dia. No caminho feito a pé, no tempo dedicado a quem está perto, na escolha de se mexer mesmo quando não é perfeito.

A ciência reforça aquilo que a vida já ensinou. Diretrizes da Organização Mundial da Saúde indicam que 150 minutos semanais de atividade física moderada — algo como 30 minutos em cinco dias da semana — já são suficientes para reduzir significativamente o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, diversos tipos de câncer, além de melhorar a saúde mental e a qualidade do sono.

Estudos populacionais recentes mostram que pessoas que caminham entre 7 mil e 10 mil passos por dia apresentam redução expressiva no risco de mortalidade e de doenças crônicas. E o dado mais importante: os benefícios começam antes disso. Não existe número mágico. Existe constância.

Viver o movimento não é virar fitness, não é seguir modinha, não é postar resultado. É entender o corpo como parte da vida — e não como um projeto de curto prazo. É se comprometer com pequenas escolhas repetidas, que cabem na agenda, na cidade, na realidade de cada um.

Promessas vagas cansam. O movimento sustenta. Ele não exige performance, exige presença. Não cobra resultado imediato, constrói constância. E constância, sim, transforma. Quando a gente se move mais, a cidade se move junto. Ocupamos praças, ruas, escolas, clubes, encontros. Ganhamos saúde, mas também convivência, pertencimento e cuidado coletivo. Movimento é individual, mas o impacto é social.

Talvez o convite para este ano não seja “mude tudo”, mas siga. Siga caminhando, siga tentando, siga escolhendo o que faz bem. Não como meta de janeiro, mas como projeto de vida. Porque viver o movimento não é sobre chegar rápido. É sobre não parar.

*Junior Damiani é educador físico, fundador da VOM (Viva o Movimento) e professor do Colégio Dom Feliciano.

 

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