Em Cachoeirinha, após aguardar meses por limpeza de espaços públicos e controle de zoonoses, moradores iniciam mutirão

 

“A situação aqui é desesperadora, vivemos um surto de zoonoses e não temos nenhum tipo de limpeza nos espaços públicos. Não aguentamos mais!”. O desabafo é de Bruna Poch, moradora do Loteamento Girassóis, que assim como o Campo Belo aguarda há meses pela realização de serviços da Prefeitura de Cachoeirinha. Dezenas de solicitações foram feitas para corte de grama e limpeza de praça e da Avenida Milton Sebastião de Souza, assim como pedidos de iluminação pública, inclusão na coleta seletiva e providências quanto ao aumento de casos de esporotricose.

A desassistência referida pela comunidade residente próxima à divisa com Canoas tem causado a cada dia mais problemas, tanto que uma página no Instagram (@girassois.abandonado) foi criada para o relato das situações. “O problema com o lixo chegou ao ápice agora em toda a cidade, mas desde que viemos morar aqui o problema existe. Muitas vezes, o lixeiro passa apenas uma vez por semana, não temos coleta seletiva também, falam que vai passar, mas nunca acontece”, afirma Bruna, que é manicure e também atua como protetora de animais.

Segundo a moradora, os casos de esporotricose provocam cenas chocantes com as quais a população local está se deparando com frequência. “A gente encontra animais em que estão caindo seus pedaços e a falta de limpeza aumenta a proliferação da doença”, lamenta. Dados coletados até a primeira quinzena de dezembro de 2025 indicam que Cachoeirinha já registrava 295 casos de esporotricose em animais domésticos, sendo a Zona Norte a mais afetada (80% das notificações). Os números foram fornecidos à reportagem pelo vereador e ambientalista Léo da Costa, um dos parlamentares a quem os moradores dos loteamentos recorreram em busca de ajuda e voluntário do Coletivo Mato do Júlio.

Além de protocolar denúncias no Ministério Público, o gabinete do vereador auxiliou a comunidade na apresentação de 37 expedientes na Prefeitura Municipal, com encaminhamentos para as Secretarias de Serviços Urbanos, Mobilidade e Segurança Pública.

Com a demora para o atendimento às demandas e preocupados com o risco à saúde e segurança das famílias, alguns moradores iniciaram esta semana um mutirão de limpeza e fizeram uma vaquinha, que possibilitou a contratação de profissional para cortar a grama da pracinha, que estava tomada pelo mato. “É recorrente aqui o aparecimento de animais peçonhentos”, alega Bruna, antecipando que alguns vizinhos cogitam fazer o mesmo na avenida para evitar mais riscos.

O Giro de Cachoeirinha entrou em contato com a Prefeitura e solicitou informações acerca das demandas da região, porém não obteve resposta até o fechamento da edição, às 13h desta quarta-feira (14/1).

Fotos: Divulgação

 

 

 

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