Qualidade de vida: entendendo a osteoporose

Uma condição que gera fragilidade nos ossos e pode comprometer a mobilidade, a osteoporose vem aumentando no Brasil e em todo o mundo. Estudos da Fundação Internacional de Osteoporose (IOF) apontam que até 2050, os casos terão significativo acréscimo de 54% entre pessoas com mais de 50 anos de idade. No Brasil, a estimativa é de que 10 milhões de pessoas já sofram os efeitos da osteoporose. Número que tende a crescer devido ao envelhecimento da população. No entanto, é possível tratar a doença e manter a qualidade de vida, com acompanhamento médico e a adoção de novos hábitos. 

A IOF projeta que, no futuro próximo, uma em cada três mulheres e um a cada cinco homens com mais de 50 anos de idade terão osteoporose. Trata-se de uma doença causada pela diminuição da massa óssea, ou seja, pela deterioração da microestrutura do osso. Sua causa é multifatorial, ocorrendo quando condições hormonais, genéticas e de estilo de vida convergem. Entre elas, estão o envelhecimento natural (principal fator), o desequilíbrio hormonal na pós-menopausa (no caso das mulheres), a dieta pobre em cálcio e vitamina D, o sedentarismo e o uso prolongado de corticoides (por meses ou anos). Algumas doenças crônicas e condições hormonais também influenciam.

De todos os fatores, o envelhecimento é, sem dúvida, o principal. Com o avançar da idade, ocorre um desequilíbrio natural entre a formação e a reabsorção do osso. A perda de massa óssea é um marco esperado com o avanço da idade. Entretanto, isso não significa que a osteoporose seja exclusiva dos idosos. Pessoas mais jovens também podem ser afetadas, principalmente quando existe algum fator que acelera esse desequilíbrio, como o uso de corticoides, alterações hormonais e doenças inflamatórias graves, entre outras.

Os hábitos de vida também merecem destaque. Eles influenciam diretamente a saúde dos ossos, pois existe uma relação clara entre estilo de vida e seu metabolismo. O osso é uma estrutura viva e suas células passam a vida inteira em constante remodelação, mantendo um equilíbrio entre formação e reabsorção. Sedentarismo, consumo excessivo de álcool e tabagismo interferem nesse processo, reduzindo a capacidade de formação de tecido, enquanto a reabsorção continua acontecendo. Além disso, o osso precisa de carga e estímulo mecânico para se fortalecer. Por isso, a atividade física com foco em fortalecimento muscular é a principal medida não farmacológica para o tratamento e a prevenção da osteoporose.

TRATAMENTO – Para abordar o tratamento, é importante separar dois cenários que muitas pessoas confundem: a osteopenia e a osteoporose. A osteopenia consiste na perda de massa óssea em um estágio inicial, enquanto a osteoporose é a doença já estabelecida. Essa diferenciação obtemos por meio de um exame chamado densitometria óssea. 

Independentemente do estágio, o tratamento sempre começa com mudanças de hábitos de vida, como otimização da dieta e a prática de atividade física, principalmente exercícios de fortalecimento muscular. Na osteopenia, muitas vezes conseguimos estabilizar e até melhorar a massa óssea. Já na osteoporose, o objetivo é interromper a progressão da doença e reduzir o risco de fraturas.

A mensagem final é simples: o melhor tratamento para a osteoporose ainda é a prevenção! Manter hábitos de vida saudáveis, como atividade física regular e alimentação equilibrada (rica em cálcio, derivados do leite e alimentos naturais), evitando ultraprocessados. Também é importante uma exposição solar adequada, de forma segura. O acompanhamento médico a partir dos 60 anos de idade, com a realização de uma densitometria óssea, é altamente recomendado! E nunca se esqueça: movimento é vida! Mantenha-se ativo!

*Dr. João Mauro Mendina é médico ortopedista e traumatologista do Hospital Dom João Becker e foi o convidado desta terça-feira (27/01) do programa Papo de Saúde, uma parceria com o Giro de Gravataí.

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