No dia 30 de janeiro celebramos a cultura das HQs brasileiras! O dia do quadrinho Nacional foi criado em alusão ao nascimento das histórias em quadrinhos no Brasil com a obra Agostini na revista Vida Fluminense. Foi criada a celebração em 1984 pela Associação dos quadrinhistas e Caricaturistas do estado de São Paulo.
Quando falamos em quadrinhos, é comum que os holofotes apontem automaticamente para a Marvel, a DC ou os gigantes japoneses dos mangás. Mas existe um universo tão vibrante quanto — e muito mais próximo do que imaginamos — crescendo e se reinventando no Brasil. A cena nacional de HQs nunca esteve tão viva, plural e criativa. Do sertão às metrópoles, dos heróis improváveis às narrativas intimistas, nossos quadrinistas têm mostrado que o Brasil não só consome cultura pop: ele também produz, e com muita personalidade.
Neste ano, em homenagem ao dia do quadrinho nacional preparamos aqui algumas obras e autores brasileiros que merecem — e muito — ocupar espaço no radar geek.
1. Graphic MSP: reinventando ícones nacionais com maturidade e poesia
É impossível falar de HQs brasileiras sem citar o fenômeno que a Mauricio de Sousa Produções ajudou a impulsionar. A coleção Graphic MSP abriu as portas para uma releitura adulta, sensível e artisticamente sofisticada dos personagens que marcaram gerações.
Obras como Astronauta (de Danilo Beyruth), Turma da Mônica – Laços (de Vitor e Lu Cafaggi) e Piteco – Ingá (de Eduardo Ferigato) elevaram o padrão gráfico e narrativo, mostrando que o universo de Mauricio de Sousa tem profundidade para muito além das tirinhas. A série do Astronauta, inclusive, gerou animações e colocou o personagem em um novo patamar do imaginário geek brasileiro.
2. “Cumbe”, de Marcelo D’Salete – resistência em traços fortes
Premiado internacionalmente, Cumbe é mais do que uma HQ: é uma obra histórica, visceral e urgente. D’Salete retrata histórias de resistência negra durante o período colonial, com uma narrativa densa e um trabalho artístico de tirar o fôlego.
É o tipo de quadrinho que deveria estar em listas escolares, festivais internacionais e na estante de qualquer fã do gênero. E felizmente, já está.
3. “Bando de Dois”, de Danilo Beyruth – cangaço com brutalidade cinematográfica
Danilo Beyruth aparece novamente na lista porque, convenhamos, ele merece. Bando de Dois é uma explosão de ritmo, violência e estética. A HQ reimagina o cangaço de forma crua, com personagens intensos e um clima de western brasileiro.
A obra é uma ponte perfeita entre o folclore nacional e a linguagem moderna dos quadrinhos — algo que Hollywood ainda não conseguiu fazer tão bem com seus próprios mitos.
4. “Queria Ter Ficado Mais”, de Bianca Pinheiro – delicadeza geek
Bianca Pinheiro, conhecida por trabalhos como Bear, entrega aqui uma HQ sensível, sobre memórias, perdas e afetos. O traço suave e a narrativa introspectiva lembram produções indie internacionais, mas carregam uma brasilidade que torna tudo ainda mais íntimo.
A autora faz parte de uma geração que equilibra humor, fantasia, drama e cotidiano com uma naturalidade impressionante.
5. “Mayara & Annabelle”, de Pablo Casado e Talles Rodrigues – ação, magia e nordestinidade
Se você gosta de duplas improváveis, magia urbana e pancadaria estilosa, essa série é obrigatória. Mayara & Annabelle combina humor, crítica social e muita ação com o tempero nordestino que dá identidade à obra. Daqueles quadrinhos que virariam uma baita série live-action se alguém soubesse aproveitar.
6. “O Beijo Adolescente”, de Rafael Coutinho – fantasia urbana com identidade visual marcante
Com uma pegada futurista, meio punk, meio poética, O Beijo Adolescente captura o caos das grandes cidades brasileiras com muita personalidade. É uma HQ visualmente ousada e conceitualmente instigante — perfeita para quem gosta de histórias que fogem do óbvio.
Por que as HQs brasileiras merecem mais destaque?
Porque nossas narrativas misturam elementos que o mundo inteiro inveja: folclore único, tensões sociais autênticas, humor inconfundível e artistas que não têm medo de experimentar. Hoje, os quadrinhos feitos no Brasil dialogam com temas universais, mas mantêm uma identidade própria — algo cada vez mais raro.
E, no cenário geek, onde a originalidade vem se tornando ouro puro, talvez seja a hora de olharmos com mais carinho para os talentos que estão nascendo (e se consolidando) aqui mesmo.
Seja nas prateleiras físicas ou nas plataformas digitais, está mais do que na hora das HQs brasileiras ocuparem o lugar que merecem: o centro da conversa.
