Você cuida da saúde do seu coração? Cerca de 400 mil pessoas sofrem infarto no Brasil a cada ano, sendo que aproximadamente 80 mil delas, infelizmente, não resistem à grave condição clínica. Aqui no Rio Grande do Sul, cerca de oito mil pessoas perdem a vida por infarto anualmente, sendo 58% homens e 42% mulheres. O atendimento correto de emergência é fundamental para um desfecho positivo em cada caso. No entanto, para que não se chegue a esse momento crítico, cabe a cada pessoa atuar na prevenção, adotando hábitos saudáveis e realizando consultas médicas regulares.
O infarto agudo do miocárdio é a necrose (morte) do músculo cardíaco. Ele é causado pela falta de circulação sanguínea, decorrente da ruptura de placas de ateroma, associada à formação de trombos, que provocam a obstrução das artérias coronarianas. Ou seja, ocorre uma obstrução (entupimento) dos vasos do coração pelo rompimento das placas de gordura e/ou coágulos de sangue que interrompem o fluxo sanguíneo. Trata-se de uma urgência, pois o músculo cardíaco morre minuto a minuto. Quanto maior o tempo sem intervenção, maior será a área necrosada. Com isso, aumenta o risco de choque cardiogênico, arritmias fatais e, consequentemente, da morte do paciente. Os principais sintomas são dor ou desconforto no peito em aperto ou pressão que podem irradiar para membro superior esquerdo, pescoço, dorso ou região epigástrica.
Assim como no AVC, cada minuto conta no infarto, tanto para a qualidade quanto para a manutenção da vida do paciente. Do ponto de vista fisiopatológico, o AVC isquêmico e o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) são muito semelhantes. Ambos são eventos decorrentes de oclusão arterial aguda, envolvendo rupturas de placas e formação de trombos, o que causa a morte tecidual por falta de oxigênio. A diferença é que o AVC ocorre no cérebro e o infarto no coração. Na prática, ambos são emergências tempo-dependentes, que exigem intervenção rápida, geralmente por meio de unidades móveis (ambulâncias).
Nesse sentido, o atendimento de urgência deve estar atento aos protocolos, agindo rapidamente na administração dos medicamentos necessários para estabilizar o paciente. Além disso, existem fluxos definidos e toda a equipe é treinada e alinhada para identificar e prestar o atendimento mais rápido e eficaz possível. Após a estabilização, já no ambiente hospitalar, o paciente será encaminhado a um centro de hemodinâmica para desobstrução mecânica.
Caso esse encaminhamento não seja indicado, após estabilizar, o paciente deverá permanecer em monitorização cardíaca contínua por, pelo menos, 48 horas, sob cuidados intensivos médicos e de enfermagem, pois este período é o mais crítico para recorrências ou arritmias graves. Alguns fatores de risco devem ser observados: idade mais avançada, sexo masculino (ou mulheres pós-menopausa), hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, tabagismo, sobrepeso, sedentarismo ou histórico familiar.
Público jovem
Uma estatística importante é o aumento de casos entre os jovens. Dados do Ministério da Saúde apontam que, entre 2000 e 2024, houve um crescimento de cerca de 200% nos casos em pessoas com menos de 40 anos de idade. O infarto em jovens costuma ser mais letal, pois, devido à menor circulação colateral, a isquemia tende a ser mais extensa. Isso, aliado à menor suspeição clínica, pode fazer com que minutos preciosos sejam perdidos e, por consequência, levar ao óbito do paciente. Entre as causas para o crescimento de casos entre os jovens, incluem-se o uso de cigarros eletrônicos (vapes), anabolizantes e hormônios para fins estéticos, o sedentarismo e o consumo de alimentos ultraprocessados.
Manter acompanhamento com o clínico geral ou cardiologista, utilizar as medicações prescritas com rigor e estar sempre atento aos sinais de alerta são medidas básicas para prevenir o infarto. Mexa-se! O sedentarismo também é um vilão para a saúde do coração! E evite alimentos com excesso de sal e ultraprocessados. Agir com prudência não é difícil. Afinal, ninguém deseja entrar para as estatísticas.
*Dra. Tatiane da Silva é a supervisora médica da Emergência do Hospital Dom João Becker. Também é a proprietária da Clínica C.Lavie.
A médica foi a entrevistada do programa Papo de Saúde de 5 de maio. Confira aqui a edição!
