Em um cenário econômico cada vez mais desafiador, há um modelo de negócio que cresce de forma transformadora: o das cooperativas. Diferente das empresas tradicionais, que têm como foco principal o lucro, as cooperativas nascem de uma lógica simples: pessoas que se unem para resolver problemas em comum, compartilhando resultados, decisões e responsabilidades.
Cooperativas são organizações formadas por indivíduos que se associam voluntariamente para atender necessidades econômicas, sociais ou culturais. Funcionam com base em princípios como cooperação, democracia (cada associado tem direito a voto), equidade e desenvolvimento coletivo. Em vez de lucros concentrados, há a distribuição das chamadas “sobras”, que retornam aos próprios cooperados, fortalecendo o ciclo de crescimento compartilhado.
No Rio Grande do Sul, as cooperativas atuam em diversos segmentos. Estão no campo, organizando a produção agrícola; no sistema financeiro, oferecendo crédito mais acessível; na saúde, no transporte, na educação e até na prestação de serviços. No setor agropecuário, por exemplo, cooperativas ajudam produtores com compra de insumos, armazenagem, industrialização e comercialização, além de assistência técnica — tornando viável a produção em escala e com mais competitividade.
O impacto social desse modelo no Rio Grande do Sul é expressivo. Em 2024, o estado contabilizou cerca de 372 cooperativas, reunindo mais de 4 milhões de associados e gerando mais de 78 mil empregos diretos. Além disso, o setor movimentou mais de R$ 93 bilhões, demonstrando não apenas força econômica, mas também capacidade de inclusão e desenvolvimento regional.
Outro ponto relevante é o papel das cooperativas na inclusão social. No ramo de trabalho e serviços, por exemplo, elas têm impulsionado geração de renda e oportunidades, permitindo que profissionais se organizem coletivamente, ampliem sua atuação e conquistem autonomia financeira.
Em um estado historicamente marcado pela força do associativismo, o cooperativismo se consolida como uma alternativa sustentável de desenvolvimento — equilibrando crescimento econômico com responsabilidade social. E talvez essa seja sua maior contribuição: mostrar que é possível prosperar sem deixar ninguém para trás.
*Mara Pacheco é Relações Públicas e presta consultoria especializada no terceiro setor, com experiência no planejamento, implementação e gerenciamento de projetos sociais que promovem o bem-estar comum. A atuação ocorre em parceria com instituições da sociedade civil organizada.
