O Alzheimer é a principal causa de demência no mundo. De acordo com projeções da Alzheimer’s Disease International, até 2050 serão mais de 130 milhões de pessoas acometidas por essa condição de saúde. No Brasil, o Ministério da Saúde indica que 1,2 milhão de pessoas já vivem com a doença, com cerca de 100 mil novos casos a cada ano. Já há novos medicamentos e vacinas em estudo, o que traz esperança para um futuro próximo.
Essa condição neurodegenerativa provoca perda progressiva da memória e de outras funções do cérebro. Isso ocorre devido ao acúmulo das proteínas beta-amiloide e tau, que prejudicam a comunicação entre os neurônios e levam à morte dessas células. Pode ter origem genética, em casos raros e familiares, mas, na maioria das vezes, a causa do Alzheimer é multifatorial.
Além da idade, hipertensão, diabetes, colesterol alto, sedentarismo, tabagismo, traumatismos, isolamento social, baixa escolaridade e perda auditiva não tratada aumentam o risco. Controlar esses fatores reduz significativamente as chances de desenvolvimento da doença. A forma mais comum de Alzheimer aparece após os 65 anos de idade. Existe um tipo precoce, raro e genético, que pode surgir a partir dos 30 ou 40 anos de idade.
Essa demência é progressiva e, até o momento, sem cura conhecida. No entanto, há possibilidade de retardar a evolução com medicamentos e controle de doenças como hipertensão e diabetes, além de estímulo cognitivo, atividade física, boa alimentação e suporte familiar. O diagnóstico é clínico e envolve a história detalhada do paciente, a avaliação com familiares e testes de memória, além de exames de imagem para excluir outras causas. Ao contrário do que muitos pensam, o cérebro possui alguma capacidade limitada de formar novos neurônios. No Alzheimer, o principal problema é o acúmulo de beta-amiloide e tau, que danificam as conexões e levam à perda neuronal.
Além do profissional de saúde, o familiar tem papel crucial no tratamento. É preciso dar suporte ao paciente no dia a dia, mantendo um ambiente seguro, estimulando atividades prazerosas e sociais, sempre com paciência e empatia. Também é fundamental acompanhar a saúde emocional do cuidador, afinal, ele precisa estar em equilíbrio para cumprir essa importante missão.
Uma boa notícia é que já existem medicamentos que reduzem o acúmulo de beta-amiloide e retardam a progressão do Alzheimer em fases iniciais. Além disso, pesquisas com vacinas e uso de células-tronco trazem esperança de tratamentos mais eficazes nos próximos anos.
*Dra. Andréia Pazini é médica neurologista do Hospital Dom João Becker. A especialista foi a convidada desta segunda-feira (25/8) do programa Papo de Saúde, uma parceria do hospital com o Giro de Gravataí, que realiza a transmissão ao vivo em seu Instagram.
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