Empresas atingidas pelas enchentes de 2024 no RS poderão ter prazo estendido para pagamento do Pronampe

 

Empresas gaúchas afetadas pelas enchentes de 2024 podem ganhar um novo fôlego para reorganizar suas finanças. O Governo Federal anunciou mudanças no programa Desenrola Brasil que permitem a prorrogação dos financiamentos contratados durante o período de calamidade, especialmente nas linhas vinculadas ao Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). A medida atende, ainda que parcialmente, a uma demanda defendida pela Fecomércio-RS junto a Brasília desde o agravamento da crise climática no Rio Grande do Sul.

Na prática, os contratos que começariam a ser pagos nos próximos meses, após dois anos de carência, poderão ser renegociados junto às instituições financeiras, garantindo mais 12 meses de carência para o início dos pagamentos e outros 12 meses de ampliação no prazo total de quitação. O alongamento representa até 24 meses adicionais para reorganização financeira das empresas. A taxa de juros, no entanto, permanece inalterada, em Selic + 6%.

O presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP, Luiz Carlos Bohn, destaca que a medida representa um avanço importante para o setor produtivo gaúcho. “A flexibilização dos prazos era uma reivindicação urgente apresentada pela Fecomércio-RS diante das dificuldades enfrentadas pelas empresas após as enchentes. Muitos negócios ainda estão em processo de recuperação e precisavam desse tempo adicional para reorganizar o fluxo de caixa e manter suas atividades”, afirma.

Segundo o diretor executivo do Instituto Fecomércio-RS de Pesquisas, IFEP-RS, Lucas Schifino, a ampliação dos prazos traz impacto direto sobre o planejamento das empresas. “No fim do ano passado, encaminhamos um estudo ao Governo mostrando que, com o aumento da Selic, os empréstimos relacionados às enchentes estavam longes de serem a ‘juros zero’, como era divulgado. No desespero, muitas empresas tomaram recursos sem saber do problema. Agora, às vésperas do início dos pagamentos, a dívida já é maior do que a projetada inicialmente. O alongamento de prazos alivia o caixa, mas é importante cada empresa avaliar seu caso, pois os juros seguirão correndo à Selic + 6%”, avalia.

Além da aplicação aos empréstimos já concedidos, a nova etapa do programa permitirá a concessão de novos empréstimos para as micro e pequenas empresas, permitindo, em alguns casos, a substituição de dívidas mais caras por linhas com melhores condições de financiamento. Entre as mudanças estão a ampliação da carência de 12 para 24 meses, aumento do prazo total de pagamento de 72 para 96 meses, flexibilização das regras de inadimplência e ampliação dos limites de crédito.

*Com informações da Moglia Comunicação. Foto: Arquivo/Coletivo Mato do Júlio

 

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