Uma experiência singular na vida da mulher, a gestação envolve cuidados necessários para que tudo transcorra da melhor maneira possível e resulte no nascimento de um bebê saudável. Anualmente, são mais de 2,3 milhões de nascimentos no Brasil, cerca de 120 mil deles no Rio Grande do Sul. A cada três gaúchos que nascem, dois vêm ao mundo por cesariana. Porém, muito antes desses números comporem as estatísticas, é fundamental que a mulher procure um médico e realize uma consulta pré-concepcional, compreendendo melhor o seu corpo e o seu ciclo menstrual.
O melhor período para gestar é quando a mulher está saudável, tanto mental quanto fisicamente. O ideal é que a gestação ocorra entre 20 e 34 anos de idade, fase considerada o auge da maturidade reprodutiva, porém é perfeitamente possível ter filhos em idade mais avançada, desde que alguns cuidados sejam adotados. A gravidez nos extremos de idade apresenta riscos para a mulher e para o bebê. Na adolescência, corpo e mente muito jovens podem não estar totalmente prontos para a gestação. Já mais próximo da menopausa, ocorre uma redução hormonal e da reserva ovariana, aumentando a probabilidade de formação de óvulos com alterações genéticas. Em todos os casos, o acompanhamento pré-natal é fundamental.
Essa relação entre médico e paciente torna-se essencial para diagnosticar, monitorar, tratar e acompanhar qualquer alteração na gestante ou no bebê. Ao longo da gravidez, serão repassadas orientações sobre as mudanças no corpo da mãe e o desenvolvimento do bebê, além da preparação para o momento do parto. E não apenas a saúde física, mas também a mental deve receber atenção nesse período. Uma mulher emocionalmente saudável tende a se cuidar mais, ter mais vitalidade e seguir as recomendações médicas com maior consciência do momento tão especial da vida que está vivenciando.
Existem alguns mitos relacionados à gestação e um deles é a ideia de que os primeiros meses são os mais desafiadores. Na realidade, ocorre o contrário. O período final da gravidez, especialmente as últimas semanas, exige maior atenção, pois os cuidados precisam ser ainda mais minuciosos, devido à possibilidade de diagnóstico de alterações morfológicas. Além disso, pode haver risco de parto prematuro, alterações da pressão arterial e da glicose da gestante, bem como sangramentos. A fase final da gestação exige mais atenção da mãe e do obstetra. Recomenda-se consultas quinzenais a partir das 28 semanas e semanais a partir das 36 semanas.
Riscos que podem ser minimizados
Uma das possíveis complicações do final da gestação, a eclâmpsia ocorre quando a gestante apresenta episódios convulsivos associados a um quadro de hipertensão e disfunções no fígado, nos rins e no sangue. A pré-eclâmpsia, por sua vez, caracteriza-se pela presença de pressão alta e disfunção de algum órgão, porém sem convulsão. O diagnóstico pode ser obtido por meio de exames laboratoriais ou da detecção de sintomas específicos como escotomas (pontos luminosos na visão), dor em hipocôndrio direito (abaixo das costelas, no lado direito), dor de cabeça intensa associada a náuseas, vômitos e dor no estômago.
Os riscos tanto da pré-eclâmpsia quanto da eclâmpsia incluem o nascimento prematuro do bebê, o sangramento na mãe, a perda de função hepática ou renal da gestante e complicações mais graves, podendo levar a óbito, tanto da grávida, quanto do bebê. Por isso, ressalto o quanto é fundamental manter o acompanhamento médico ao longo de toda a gestação.
O cuidado começa com a mulher e se estende ao bebê antes, durante e após a gravidez. Com os cuidados necessários, esse período tão especial da vida se tornará inesquecível!
*Dra. Guilhermina Jacó é médica obstetra do Hospital Dom João Becker.
A especialista foi a entrevistada do programa Papo de Saúde desta terça-feira (2/6). Clique aqui para conferir a edição completa.
