A decisão da Justiça Eleitoral que determinou a cassação dos diplomas da prefeita eleita de Cachoeirinha, Jussara Caçapava (Avante), e do vice-prefeito Mano (PL), recolocou o município em um cenário de incerteza política e pode levar a cidade a ter uma terceira definição de comando do Executivo em menos de quatro anos.
A sentença, assinada pela juíza eleitoral Suelen Caetano de Oliveira neste sábado (16), ainda cabe recurso ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mesmo assim, o caso já produz forte repercussão política por atingir uma gestão escolhida justamente em uma eleição suplementar convocada após uma das maiores crises institucionais recentes da cidade.
Nos últimos anos, Cachoeirinha acumulou mudanças administrativas, disputas judiciais e alterações no comando da prefeitura. O município passou por troca de prefeitos, gestão interina e novo pleito eleitoral em um intervalo considerado incomum para cidades do porte da Região Metropolitana.
Agora, caso a decisão seja mantida nas instâncias superiores, a legislação eleitoral prevê uma nova eleição suplementar para definir prefeito e vice até dezembro de 2028.
Além do impacto político, a decisão também gera preocupação sobre os reflexos administrativos em uma cidade que ainda executa ações ligadas à reconstrução pós-enchente de 2024. Parte das obras públicas, programas e investimentos em andamento está diretamente associada ao processo de recuperação da infraestrutura urbana atingida pelas cheias.
A sentença teve como base vídeos publicados durante a campanha eleitoral. Em um deles, Jussara aparecia junto a servidores públicos uniformizados com identificação relacionada à prefeitura interina. Em outro, a então candidata participava de gravações em obras públicas, incluindo ações de desassoreamento e limpeza em áreas afetadas pelas enchentes.
Na decisão, a magistrada afirmou que a associação da imagem da candidata às intervenções públicas realizadas em meio ao cenário de calamidade elevou a gravidade da conduta analisada. A defesa da prefeita eleita e do vice informou que recebeu a decisão “com surpresa” e confirmou que irá recorrer.
