Um levantamento realizado pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), por meio do Observatório da Violência da entidade, aponta um cenário preocupante de violência contra médicos em Cachoeirinha. A pesquisa ouviu 39 profissionais entre outubro e dezembro, a partir de denúncias formalizadas ao sindicato, e identificou episódios que os médicos relatam como parte da rotina de trabalho, incluindo o registro de quatro agressões em apenas uma semana, no mês de setembro.
Segundo o levantamento, mais de 67% dos médicos afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência, principalmente agressões verbais e ameaças. Entre os principais motivos apontados estão a recusa na emissão de atestados, divergências sobre condutas clínicas e a insatisfação de pacientes ou familiares com a não prescrição de medicamentos ou exames.
Os dados mostram ainda que, na maioria dos casos, as agressões partem de familiares ou acompanhantes, especialmente pais ou responsáveis por crianças. Outro ponto destacado é a subnotificação: 57,7% dos profissionais não registraram ocorrência, citando medo, descrédito nas denúncias e falta de encaminhamento como razões. Expressões como “falta de apoio institucional” foram recorrentes nos relatos.
Diante do cenário, o Simers informou que encaminhou ofícios à Câmara de Vereadores e à Secretaria Municipal de Saúde, além de solicitar reuniões com gestores para discutir medidas de segurança nas unidades. A Secretaria de Saúde afirmou que trabalha em ações preventivas, sem detalhar prazos ou iniciativas específicas. O sindicato defende que a violência deixe de ser tratada como fato isolado e passe a ser prioridade nas políticas locais de saúde.
